Data: 31/8/2007 09:22
Obrigatoriedade de adição pressiona preços
As altas cotações do óleo de soja começam a preocupar o mercado de combustíveis, em virtude de seus efeitos no preço do biodiesel. As distribuidoras começam a negociar os contratos de fornecimento para o ano que vem, quando a adição do biocombustível se tornará obrigatória, e já sentem pressão sobre os preços. No primeiro efeito prático, a Petrobras deixou de produzir H-Bio, tipo de diesel misturado com óleos vegetais, para evitar prejuízos.
Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP (Cepea), a cotação do óleo de soja bateu recorde histórico na bolsa de Chicago em julho, atingido os US$ 832,26 por tonelada. Em São Paulo, o produto fechou o mês com um preço médio de R$ 1.703,36 por tonelada, valor 36,2% superior ao registrado em julho do ano passado. Pesquisadores da entidade apontam como causa o aquecimento do mercado interno, que vem reduzindo os estoques em mãos dos produtores.
"Atualmente não compensa para a Petrobras produzir o H-Bio", afirmou, na quarta-feira, o diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. A empresa começou a produzir o combustível este ano, com a adição de óleos vegetais ao processo de refino do diesel, que formou um produto híbrido, 10% vegetal e 90% derivado de petróleo. A companhia tem como meta produzir 425 milhões de litros de H-Bio em 2008, volume que deve saltar para 1,6 bilhão de litros em 2012, após investimentos de US$ 60 milhões.
No mercado de biodiesel, os altos preços dos óleos vegetais já vêm provocando problemas a empresas que se comprometeram a vender o produto em leilões promovidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Segundo fontes do setor, há produtores com dificuldades para cumprir os contratos, uma vez que as cotações do óleo de soja dispararam nos últimos meses. "Tem gente que ganhou cotas em leilões no ano passado e deixou para comprar os insumos agora", aponta um executivo do mercado de combustíveis.
Ele acredita que algumas empresas deixarão de cumprir os contratos, para evitar prejuízos. Os preços de venda nos leilões ficaram entre R$ 1,80 e R$ 1,90 por litro. Na época do primeiro leilão, em novembro de 2005, a cotação do óleo de soja em São Paulo girava em torno dos R$ 1,1 mil por tonelada. A Petrobras foi a única compradora dos leilões e se comprometeu a passar o produto às distribuidoras pelo mesmo preço do diesel de petróleo que hoje custa, nas refinarias e sem ICMS, R$ 1,362 por litro.
No início do ano que vem a adição de biodiesel ao diesel de petróleo passa a ser obrigatória, na razão de 2% - mistura conhecida como B2. Executivos de empresas do setor temem que a grande diferença entre os preços dos dois produtos criem margem para novas fraudes no mercado. A grande preocupação é que fraudadores vendam diesel sem o biocombustível, garantindo um ganho de 25% em suas margens de lucro. O setor está em negociações com o governo e com a ANP para propor medidas de fiscalização. (Fonte: Jornal do Commercio/RJ)
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