Data: 14/6/2007 12:58
Cientistas vêem queda na produção a partir de 2011.
Empresa petrolífera discorda e fala em 40 anos.
Um grupo de cientistas criticou um estudo publicado nesta quarta-feira (13) pela companhia petrolífera British Petroleum. Segundo a empresa, as reservas "demonstradas" de petróleo são suficientes para cobrir o consumo nos próximos 40 anos. Mas para eles, os recursos podem se esgotar em menos tempo.
Os cientistas do Oil Depletion Analysis Centre, de Londres, afirmaram que a produção mundial de petróleo alcançará sua cota máxima nos próximos quatro anos. Em seguida, começará a cair de modo drástico, o que terá fortes conseqüências para a economia mundial e o estilo de vida.
O diretor do centro é o geólogo Colin Campbell, ex-vice-presidente de várias companhias petrolíferas, como BP, Shell, Fina, Exxon e Chevron Texaco. Ele disse ao jornal "The Independent" que a produção do petróleo mais barato e fácil de extrair chegou em 2005 a seu ponto mais alto e está em declínio.
Mesmo levando em conta para a análise o petróleo pesado de difícil extração, as reservas no fundo do mar, as jazidas polares e o líquido extraído do gás, o teto de produção será alcançado em 2011.
O principal analista econômico da BP, Peter Davies, também citado pelo "Independent", discordou. "Não achamos que haja problemas absolutos de recursos. Quando chegarmos a essa situação, pode ser que ela se deva a um forte aumento do consumo ou a uma nova política de combate à mudança climática, não a um limite na produção".
O geólogo Jeremy Leggert, autor de um livro sobre a crise energética mundial, disse ao jornal que o caso do petróleo lembra a resistência de muitos, durante anos, a prestar atenção aos alertas sobre o aquecimento do planeta.
Ele lembrou que em 1999 as reservas petrolíferas do Reino Unido no Mar do Norte chegaram a um teto. Mas durante dois anos, explicar abertamente o que acontecia equivalia quase "a uma heresia".
A análise da BP sobre as reservas mundiais ("Statistical Review of World Energy") é o documento utilizado mais amplamente no setor. Mas, segundo Campbell, seus cálculos são muito políticos, baseados em dados oficiais de governos e companhias.
"Quando eu estava à frente de uma companhia petrolífera, nunca dizia a verdade. Não fazia parte do jogo", lembrou. (Fonte: G1)
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