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Revenda de Combustíveis: Retrospectiva 2004

 
A relevância do Gás Natural na Matriz de Combustíveis Veiculares

*Oswaldo Colombo Filho

Vários são os ângulos a que devemos nos ater, em se tratando da definição de políticas que se relacionem à utilização deste ou daquele combustível em veículos automotores. Sem fixar um balizamento aceitável, em face dos fatos, e possibilidades que nos cercam, a retórica pouco servirá a um processo de análise sócio econômica madura, e voltada aos interesses da nação brasileira, e não só a possíveis ou efêmeras vantagens econômicas ao nível do consumidor. Não que este quesito, não tenha fulcral importância na formatação de uma desejável matriz de combustíveis veiculares, mas outros aspectos de relevância, merecem atenção, tais como os relacionados ao meio ambiente, o potencial de deslocamento de combustíveis mais poluentes, ou da latente necessidade de substituição diante da exposição que propiciam à nossa economia. A relevância do tema matriz de combustíveis veiculares, recebe neste momento, acentuada visibilidade pública diante da cabal vulnerabilidade que nossa economia possui face as cotações internacionais do petróleo, que versa por uma “comodite”, e, portanto, sujeita às naturais oscilações de mercado, sejam estas economicamente intrínsecas como a relação de preços fixada pela oferta e demanda, sazonalidades; ou por externalidades, como especulação, conflitos armados. Este último aspecto, e de importância nos ajustes das cotações internacionais do petróleo nos últimos 35 anos, vem sendo uma forma perversa, em todos sentidos, de transferir a riqueza dos países subdesenvolvidos para os desenvolvidos. Esta situação tem sido objeto de muitas análises, e tem conduzido nosso país a buscar a auto-suficiência na prospecção, produção e refino de petróleo. Este objetivo, não esta tão longe de ser alcançado, mas não há de se imputar a este nossas esperanças, como um gol salvador aos 45 minutos do segundo tempo,... e na final de um campeonato!... Futebol a parte, mas de fato nossa economia muito logrará ao atingir plenamente este objetivo. Desde o primeiro choque do petróleo, a auto-suficiência tem sido uma meta que sempre mobilizou a atenção das políticas macro econômicas implementadas. Em 1974, quando da descoberta da bacia de Campos, a Petrobras conquistou um memorável marco na indústria petrolífera, fomentando um significativo processo de evolução tecnológica para exploração e produção de petróleo em águas profundas e ultraprofundas, conquistando a liderança mundial neste segmento. Em 1982 a Petrobras já produzia 100 mil barris/dia em seus campos offshore. Passados vinte anos, em 1982, esta produção atingia 1,3 milhões de barris/dia (900 mil em águas profundas). Em 1997 já atendia 70% da demanda nacional, e dentro de dois anos nossas autoridades da área energética estimam a obtenção da tão desejada auto-suficiência. Contudo, o jogo continua, e as cotações internacionais sempre influenciarão os preços no mercado interno, e todo comportamento dos agentes econômicos envolvidos no contexto. Para o desenvolvimento da economia não basta apenas a auto-suficiência do petróleo, mas sim aumentar o acesso da população a este precioso bem. Enquanto nosso consumo per capita é inferior a 4 barris/ano por habitante, os Estados Unidos superam 25 a Espanha 16 e o México 8. Acessar esta riqueza, significa gerar toda sorte de benefícios inerentes ao processo de desenvolvimento econômico desejável a nossa nação. Ainda em relação ao foco desenvolvimento, nossas fontes arroladas na matriz de combustíveis veiculares, nos permitem esboçar estratégias balizadas pela menor dependência de fatos alheios, como as cotações internacionais, e que invariavelmente acabam produzindo drástico efeito no cotidiano da nação. Além desta vulnerabilidade, outros temas de grande importância devem ser observados, como a geração de empregos, atração de capital e tecnologia, assim como o meio ambiente; estes, igualmente às nuances internacionais, nos atingem e provocam também efeitos no cotidiano da nação. Neste contexto surge no Brasil o Gás Natural como combustível veicular -GNV. Existente em 59 países, com uma frota estimada em cerca de 4,0 milhões de veículos leves e entre 400 a 500 mil de veículos pesados, é uma realidade incontestável, e ainda é o combustível que mais cresce em consumo não só no Brasil, mas no mundo. Apesar do Brasil, possuir a segunda maior frota do mundo de GNVs leves, (cerca de 800 mil veículos) é notório o desconhecimento da sociedade e de muitas autoridades acerca das vantagens deste combustível, em especial considerando-se as possibilidades que oferece: (a) ao meio ambiente; (b) como elemento ou vetor na viabilização dos investimentos em infra-estrutura de distribuição; (c) como agente atrativo a novos investimentos; (d) disseminador de novas tecnologias; (e) e na formação e geração de novos postos de trabalho. Frisa-se este expressivo desconhecimento até na fixação de políticas públicas em cidades como São Paulo, que renovou nos últimos dois anos, 1/3 da frota de ônibus de passageiros, e optou por veículos dotados de motores diesel ao invés de GNV, como ocorre em vários países, e que até importam os veículos deste porte aqui produzidos por um renomado fabricante. O uso do Gás Natural e de bio-combustíveis, são perfeitamente factíveis às nossas fontes e outros usos energéticos, como a cogeração, e aliam-se perfeitamente aos parâmetros anteriormente estipulados, inclusive eliminando a importação do Diesel, e do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) também importado em escala significativa. Ambos atraem capitais produtivos, desenvolvem tecnologias, geram empregos e são mais atinentes para com o meio ambiente que os outros combustíveis. Diante destes fatos, o Brasil apresenta extraordinário quadro de possibilidades energéticas a constituir sua matriz, e que ainda lhe valem traçar simetria às nossas necessidades sociais e desenvolvimentistas. O GNV socialmente lega importantes atributos à nação brasileira; é econômico; não pode ser adulterado; o risco fiscal de sonegação é praticamente nulo; e por suas características de uso, transporte e estocagem, é confinado, não tendo assim contato algum com o meio ambiente. No ambiente urbano, o uso adequado deste combustível, se comparado com os combustíveis tradicionais, podem reduzir as emissões de monóxido de carbono (CO) em 76%, de óxidos de nitrogênio (NOx) em 84%, e de hidrocarbonetos pesados (CnHm) em 88%, praticamente eliminando as emissões de benzeno e formaldeídos, que são cancerígenos. Atualmente as principais fontes de poluição atmosférica, em especial nos grandes centros urbanos são causadas por veículos. O último relatório da Companhia de Tecnologia Ambiental de São Paulo – CETESB - 2.003, nos dá conta que 97% destes poluentes na Região Metropolitana de São Paulo, são emitidos por veículos em circulação ou em processos evaporativos de seus reservatórios. Para ilustrar, na já citada região urbana, os veículos movidos à gasolina são responsáveis pela emissão anual de 790,2 mil toneladas de monóxido de carbono (CO), 84,2 ton. de hidrocarbonetos e 51,8 mil ton. de dióxidos de nitrogênio(NOx). Os veículos a álcool respondem por 211,5 mil toneladas de monóxido de carbono (CO), 22,9 mil ton. de hidrocarbonetos e 12,6 mil ton. de dióxidos de nitrogênio(NOx). Os veículos a diesel respondem por 444,4 mil toneladas de monóxido de carbono (CO), 72,4 mil ton. de hidrocarbonetos, 324,5 ton. de dióxidos de nitrogênio(NOx), 11,2 mil ton. de dióxidos de enxofre (SOx) e 20,2 mil ton. de materiais particulados. Vale citar, que as motocicletas na Região Metropolitana de São Paulo, emitem anualmente 238,9 mil toneladas de monóxido de carbono. E todos combustíveis líquidos, através de seu manuseio e mesmo acondicionados em tanques, produzem ainda cerca de 168 mil toneladas anuais de hidrocarbonetos através de processos evaporativos. Deixar de notar a importância dos dados acima, ao formular políticas de fomento, e especificação da matriz de combustíveis desejável à nossa sociedade é um contra censo. O exemplo aqui disposto, versa pelo terceiro maior conglomerado urbano do mundo, ocupa 0,1% do território nacional, cerca de 8.015 km quadrados, e possui uma população superior a 17 milhões de pessoas. A deterioração da qualidade do ar, basicamente originada por uma frota de aproximadamente 7,5 milhões de veículos, causa sensíveis problemas de saúde a toda comunidade. Atentarmos para isto, é respeitar desde já um futuro melhor para as gerações que nos sucederão. Dúvidas não restam a todos aqueles que vigorosamente se predispõem à alteração de nossa matriz de combustíveis, e conseqüentemente a energética. O Brasil, é um país dotado de enorme potencial e facilidades, a impor estas alterações em poucos anos, de forma a triplicar a participação do uso do Gás Natural em nossas matrizes. Não aceitar o GNV como uma terceira via ou opção, é descartar o enorme potencial que o País possui, afinal, quantos países no mundo poderão ter as facilidades de veículos multi-combustíveis? Portanto, GNV: (a) Bom para a nossa economia, como agente atuante na viabilização da massificação do uso do Gás Natural; como mecanismo capaz de regular e influir na formação genérica dos preços de todos combustíveis; como fonte energética própria, ou quando importada está num contexto regional bastante distinto dos fatores que cercam os grandes produtores de petróleo, não necessitando ainda de estoques reguladores, pois a própria natureza já se incumbiu desta tarefa. (b) Bom para a nação brasileira que terá no GN, uma força a auxiliá-la em conseguir a auto-suficiência em petróleo, e mais do que isto, preservar esta conquista a um uso mais nobre para as futuras gerações. (c) Bom para a nossa saúde, enquanto auxilia a cuidar do ar que respiramos, ... e muito eficaz para evitar que álcool suba “ à nossa cabeça causando mais uma inesquecível ressaca” *Oswaldo Colombo Filho - Diretor Executivo Associação Brasileira do Gás Natural Veicular - ABgnv (Fonte: ABgnv - Dezembro/2004)

As perspectivas do GNV para 2005

Ubiratan J. Dos Santos

Em 1994, quando iniciávamos nossas análises sobre o futuro e promissor mercado do Gás Natural Veicular (GNV), chamaram-nos de “sonhadores”.

Existia então, apenas “um” Posto de Abastecimento de GNV em operação – digamos comercial – inaugurado em 1991 (Posto de Gasolina Brasil Grande Ltda. – Bandeira Ipiranga – na Av. Brasil, n.º 6271 - em Bonsucesso, na cidade do Rio de Janeiro – RJ., cujos proprietários conhecíamos pessoalmente).

Lembrar:

04/10/91 – Portaria n.º 222 – MINFRA, libera o uso do GNC em táxis, desde que em volume equivalente ao usado em substituição ao Diesel;

07/11/91 – Portaria n.º 26 – DNC, autoriza a venda de GNC em Posto operado por distribuidora ou terceiros; ·

25/09/92 – Portaria n.º 553 – MME, autoriza a utilização do GNC para fins automotivos em frotas de ônibus urbanos e interurbanos, em táxis, em frotas cativas de empresas e de serviços públicos e em veículos de transporte de cargas;

12/01/96 – Decreto do Presidente da República, n.º 1787, autoriza a utilização de GNC em veículos automotores e motores estacionários, nas regiões onde o referido combustível for disponível, obedecidas às normas e procedimentos estabelecidos pelo DNC;

Em dezembro de 2002, quando o quadro de nossa economia e suas perspectivas eram bem diferentes da que hoje se nos apresenta, em síntese, escrevemos:

... Em que pesem ... “O Gás Natural Veicular (GNV) vai mundo bem obrigado. Já somos o segundo maior consumidor mundial do combustível ...” ... nossa frota, movida a GNV, é de aproximadamente 400 mil veículos ...

... As reservas ...  “provadas“ são da ordem de 219,8 bilhões de metros cúbicos, nas quais se destacam os Estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Amazonas.

Produção efetiva, sem risco de desabastecimento (A Bacia de Campos, no litoral do Estado do Rio e Urucu, no meio da floresta Amazônica, continuam jogando fora milhões de metros cúbicos por dia).

O aumento da demanda pelo combustível já estimula parcerias internacionais. A iniciativa privada, inclusive com a participação de investidores oriundos de outros segmentos, agora começando a conhecer o negócio (especialmente o Posto de GNV), disposta a investir.

A competitividade no preço dos equipamentos (há cinco anos, só uma estação de abastecimento com compressor e etc. custava US$ 500 mil, hoje com US$ 300 mil faz-se também a parte civil e elétrica).

E, o mais importante, o mercado consumidor reclamando por maior oferta do produto. Na realidade, temos um grande desafio pela frente. ...

O PETRÓLEO: - Em decorrência de aumentos de preços, ameaças de guerras e etc., o mundo está aprendendo a depender cada vez menos deste produto como principal fonte de energia. O consumo, no ano de 2002, ficou praticamente estagnado. Estima-se crescimento “zero” para o ano de 2003, mesmo com a previsão de especialistas de que o preço do barril de petróleo ficará em torno de US$ 20, chegando a US$ 15, em 2004.

Dezembro de 2004; continuamos muito bem obrigado.

A nossa frota deverá fechar o ano com cerca de 820 mil veículos, basicamente leves, usando o Gás Natural como combustível. São mais de 700 empresas instaladoras de sistema de Gás Natural em veículos automotores (kit gás) registradas pelo INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial. E, apesar de todas as dificuldades, temos mais de 900 postos de abastecimento do combustível, em quase todos os estados do país (Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe). O Estado do Rio de Janeiro possui a maior rede de postos (mais de 300).

A nossa produção e reservas aumentaram, principalmente com as descobertas na Bacia de Santos e do Espírito Santo.

O interesse dos donos de postos combustíveis em agregar a venda do produto aos seus negócios, o crescimento registrado nas conversões de veículos para o GNV consolida as previsões de aumento da demanda.

Desafios / Investimento

Considerando, dentre outros, o “Plano Nacional do Gás Natural – PLANGÁS (maio/1987)”;

Considerando a proposta governamental de “massificar” o uso do Gás Natural;

Considerando as tendências e a realidade do mercado, que em regiões como o Grande Rio (RJ), a venda média, por posto, já aponta para 150 mil metros cúbicos por mês;

Entendemos que o preço, tanto das “Estações de Abastecimento de GNV” (de US$ 200 mil a US$ 250 mil), quanto dos “Kits Gás” (de R$ 2 mil a R$ 3 mil), ainda são elevados, podem e têm que ser reduzidos, “sem prejuízo da segurança e qualidade”.

O mercado carece - e muito - de “estações de abastecimento de gás natural veicular” de menor porte e com tecnologia adequada à pressão disponibilizada pelas concessionárias de gás canalizado (no Estado do Rio de Janeiro e São Paulo a tendência é de 2 a 4 Bar). É nosso entendimento que as poucas opções disponíveis no mercado nacional “não atendem as necessidades”. São extremamente caras, além de ter um custo operacional (consumo de energia e manutenção) elevadíssimos.

Urge também que sejam incrementados, “em todos os sentidos”, o desenvolvimento de sistemas alternativos de transporte, distribuição, armazenagem e compressão do gás natural, a fim de atender as regiões ainda não alcançadas pelos gasodutos e as de menor consumo do combustível.

Existe, na Europa, equipamentos de menor porte (ocupam menos espaço), para atender demanda de 70 a 80 mil metros cúbicos mês, estações “modulares” que podem ser incorporadas à medida que o volume justifique.

O nosso Gás Natural já está mudando o Brasil

Esperamos que em 2005, tenhamos condições de continuar contribuindo para a consolidação e desenvolvimento do Gás Natural Veicular.

15/12/2004

 

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Um Panorama Sobre os Desafios do Uso de GNV emVeículos Pesados: Um Relato a Partir da Conferência Mundial de GNV 2004 – Buenos Aires, 26 a 28 de Outubro de 2004

Carla Souza e Silva¹

A Conferência Mundial sobre GNV é um evento anual promovido pela IANGV – International Assotiation of Natural Gas Vehicules.

Da sua última edição, ocorrida em Buenos Aires, em paralelo com a Expo GNV, pode-se destacar dois grandes eixos de discussões: Motores para veículos pesados a GNV e os desafios à expansão no uso do GNV nos diferentes países.

Com relação aos motores para veículos pesados a GNV, as discussões se polarizaram entre a fabricação de motores novos e a conversão de motores usados. Em termos de motores novos, a única novidade foi a apresentação de um motor a GNV com "ciclo diesel" fabricado pela Isuzu (Japonesa), em associação com a Westport (canadense) e a Cummings. O projeto se baseia na inclusão de uma "cerâmica" incandescente na câmara de combustão e na injeção direta do GNV na câmara de compressão. O sistema supostamente permite manter as características de torque e potência de um motor a diesel, vencendo, portanto, a principal restrição dos motores originais a GNV, baseados em ciclo Otto, para veículos pesados. Os produtores ressaltam, todavia, que as maiores aplicações são para veículos médios de uso urbano. Para veículos maiores o sistema necessitaria de uma injeção de diesel, sendo, portanto, dual fuel. Em termos de conversão de motores Diesel – GNV, esta foi a grande vedete da feira. Muitos stands mostraram motores convertidos, em fase de testes de prova, ou já prontos para vender; outros apresentaram protótipos em fase de teste.

A conversão de motores usados, por sua vez, pode ser de dois tipos: dedicada ou dual. A tecnologia dedicada é aquela em que o motor convertido passa a utilizar somente GNV. O processo utilizado neste caso é a transformação do motor de ciclo diesel para ciclo Otto (daí o nome ottorização), através do aumento da câmara de combustão interna. Ele requer a troca da tampa do motor, a inclusão de velas, do distribuidor de faíscas e a troca do comando de válvulas. Algumas empresas incluem o serviço de retífica do motor e ainda fornecem garantia de dois anos em alguns motores, como é o caso da Tomasetto Achile, na conversão dos motores Deuz. Como são alteradas muitas peças, este processo é específico para cada tipo de motor. As empresas argentinas que apresentaram este processo (Tomasetto, BBS, Oirsa-Argenchip e TGN), portanto, focaram no desenvolvimento dos motores de maior uso na Argentina (que por sinal são também os de maior uso no Brasil): os motores Mercedes OM 352 e OM 366, nas versões turbo e aspirado. Estes motores equipam ônibus e caminhões que circulam em transporte urbano e interurbano de pequeno curso.

Segundo os trabalhos apresentados na Conferência sobre o desempenho dos motores convertidos, a transformação mantém as características de torque originais e ainda fornecem maior potência (capacidade de velocidade final) ao motor. A autonomia fica a cargo do desempenho – que varia de 2 a 2,5 km/m³ – e do número de cilindros colocados no veículo. Outro elemento importante sobre a conversão se refere à reversibilidade do projeto de ottorização: caso o dono do motor guarde todas as peças originais, o veículo pode ser retransformado em ciclo diesel, na hipótese de uma possível revenda do veículo a uma localidade sem GNV.

A conversão dual fuel é uma tecnologia que utiliza diesel e GNV em proporções variáveis. Ela trabalha com taxas de substituição do diesel por GNV que variam, em geral, entre 30% e 80%. Ao contrário do que ocorre com veículos a gasolina, não existe a possibilidade de utilização bi-fuel, no qual o proprietário escolhe empregar apenas GNV ou gasolina. Na tecnologia dual, o uso do diesel é necessário, pois é ele que fornece a "faísca" necessária para a explosão do gás natural.

Diversos papers sobre tecnologia dual apresentam curvas de substituição de diesel por GNV; todavia, grosso modo, o máximo de consumo percentual de GNV é conseguido quando o motor roda a baixa carga, isto é, quando não lhe é demandado nem muito torque (força) nem grande potência (velocidade).

As empresas que fornecem esta tecnologia na Argentina são a Tomasetto Achile, a GN e a Argenchip-Oirsa. A Civil Corp, empresa filial da neo-zelandeza DieselGas, tem um projeto de ônibus que rodou o trecho Rio – São Paulo com total autonomia, atingindo uma média de 84% de substituição de diesel por GNV. Em função das características de consumo de GNV, esta não é uma tecnologia muito indicada ao uso urbano, pois se obtém baixa economia no gasto com combustível. A tecnologia teria vantagens para uso em estrada, pois garante flexibilidade ao motorista, maior autonomia, e, em estradas planas, promove uma boa taxa de substituição.

Esta opção, porém, apresenta pelo menos dois problemas de ordem técnica. O primeiro se refere ao chamado overlap das válvulas do motor, isto é, à abertura das válvulas de entrada (combustível e ar) e saída. Nesse momento, caso ocorra a injeção de diesel, gás e ar, uma parcela do diesel é jogada para fora e somente é queimada no cano de escape. A queima incompleta gera monóxido de carbono, o que piora o desempenho do motor em termos de emissão de gases. A solução proposta e apresentada pela Tomaseto é a de retardar a injeção eletrônica do diesel para o momento posterior ao fechamento da válvula de saída.

Outro problema se refere à temperatura do motor, que aumenta com a conversão dual. Em função disso, segundo a Tomaseto, os motores com intercooler são os mais indicados para esta conversão. A Argenchip coloca um sensor de temperatura que desarma a entrada de gás natural, caso o motor passe de uma determinada temperatura.

Embora não tenha se constituído propriamente em um item de destaque no Congresso, merece menção a questão da armazenagem, visto que está diretamente relacionada à autonomia dos veículos e a outros inconvenientes relativos ao transporte de carga ou passageiros. No transporte de carga de pequena e média distância (em que a autonomia é garantida), os cilindros não tomam espaço de carga a ser transportada, pois em geral são posicionados nos chassis ou entre o cavalo mecânico e a carroceria. Os cilindros, porém, aumentam o peso de carga transportada, o que se reflete em maior desgaste de freio, maior demanda de torque do motor, conseqüentemente, maior consumo de combustível e na perda de capacidade de transporte de carga.

No caso do transporte interurbano de passageiros, a própria localização dos cilindros nos chassis constitui um problema, pois ficariam dentro do bagageiro. Mesmo em transporte urbano, caso se queira fazer ônibus com chassis mais baixos para deficientes, os cilindros ficariam muito próximos ao chão. Assim, a saída seria a colocação dos cilindros no teto do veículo, o que requer reforço da estrutura metálica dos ônibus e colocação de cilindros mais leves (tipos 2 ou 3). O custo dos ônibus aumenta bastante com tais adaptações.

Os demais países enfrentam problemas bastante similares aos brasileiros no estímulo ao uso de GNV em substituição ao diesel. Dentre os problemas observados, destacam-se os preços relativos dos combustíveis concorrentes e o custo do investimento. Mesmo na Argentina, líder no uso de GNV, o transporte coletivo de passageiros recebe diesel subsidiado. Em outros países, o concorrente é o GLP, que tem preço subsidiado.

Estes desafios somente podem ser contornados pela ação pública direcionada a este fim.

Em alguns países como a Índia, a questão da poluição foi o elemento fundamental para aprovação da lei que obriga os ônibus com mais de 8 anos de uso a serem convertidos a um combustível limpo (GNV ou GLP). Em outros países, notadamente no continente Europeu e nos EUA, as políticas de estímulo ao uso de GNV estão inseridas em políticas mais amplas de uso de combustíveis alternativos. No caso europeu, de um modo geral, questão do abastecimento do GN faz com que os programas de estímulo ao uso do GNV tenham recursos e esforços públicos diminutos, se mantendo dentro de uma perspectiva em que o GNV é visto como solução transitória ao uso futuro de hidrogênio.

No que concerne ao aspecto tecnológico, o que se pode concluir deste panorama é que, em fases de desenvolvimento de mercado, é natural a existência de uma ampla gama de alternativas tecnológicas. Essa diversidade é fundamental para que se possam contornar os desafios écnicos da forma mais eficiente, na medida em que as alternativas trazem consigo vantagens e

desvantagens e maior adequação a um determinado nicho de mercado. Por exemplo, as tecnologias dual fuel têm as vantagens de conferir maior flexibilidade ao proprietário e menor custo de investimento, porém ainda pecam com relação ao consumo de gás natural e à questão da queima incompleta e da temperatura do motor.

No caso da conversão de motores, estas se constituem em alternativas interessantes em face da existência de frotas antigas. É o mercado, a partir do processo de seleção natural, que tende a eliminar tecnologias que se mostrem ineficientes neste jogo, bem como empresas que busquem estratégias de ganho fácil. Cabe ao poder público dois papéis fundamentais – aqui enfocando o caso brasileiro, no qual a disponibilidade de gás natural atual e potencial são bastante favoráveis.

O primeiro é o de estimular o uso de GNV em veículos pesados, pelo potencial de ganho em termos de emissões, pelo seu efeito na redução da dependência de um combustível importado e como âncora do crescimento futuro do mercado de Gás Natural. Sua ação deve ser direcionada para contornar os desafios do custo de investimento e preços relativos; nesse sentido a experiência internacional é farta de lições interessantes.

Em segundo lugar, o poder público deve garantir a eficiência seletiva do mercado ao estabelecer padrões de qualidade mínima dos equipamentos, normas ambientais claras que cada alternativa tecnológica deve atender, de modo a evitar práticas predatórias no mercado.¹ * Doutoranda IE-UFRJ/Pesquisadora GEE

(Fonte: Boletim Infopetro Novembro 2004)

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Inadimplência e dificuldades financeiras voltam a afetar as convertedoras.

Antonio José Teixieira Mendes.


A redução das vendas no setor de instalações de sistemas de GNV está preocupando todo o setor do gás natural veicular. Os altos investimentos, feitos nos últimos anos, principalmente pela industria de equipamentos como as de cilindros e sistemas para GNV e o setor de postos de abastecimento, ficam comprometidos com a redução no ritmo das conversões em todo o Brasil. Segundo o diário "Valor Econômico" a redução da renda - nos últimos doze meses - diminuiu o poder de compra do brasileiro em 14,7%, isto esta provocando uma crise no setor de serviços atingindo até mesmo os segmentos essenciais: "a inadimplência cresceu e diminuiu o número de clientes dos planos de saúde, médicos, dentistas,escolas privadas, academias de ginásticas, lavanderias e empresas de aluguel de automóveis".
Veículos pequenos de aluguel ou para entrega de mercadorias e vendas, só são viáveis com o GNV.

O aumento de preço das matérias primas e mão de obra não podem ser repassados e com isso, o setor do GNV enfrenta dificuldades em reajustar os preços de produtos e serviços para pelo menos acompanhar o ritmo da inflação, levando o setor de serviços de conversão a trabalhar com uma margem de lucro cada vez menor na tentativa de atrair o cliente. Isso tem feito com que os ajustes de preços fiquem abaixo do IGPM, comprometendo a saúde das empresas do setor que se comprime entre o credito bancário, as taxas - INMETRO E CREA - e os impostos.


Ainda segundo o jornal "Valor Econômico" o aumento da inadimplência atingiu setores como as universidades privadas e os planos de saúde considerados serviços indispensáveis para as classes B e C, sendo que os clientes do GNV são também da classe D, pois é uma forma de tornar serviços de transporte urbanos viáveis para os autônomos de baixa renda, os riscos financeiros aumentam significativamente, tornando necessário uma análise de crédito mais apurada e cautelosa.

Antonio José Teixeira Mendes, Químico Industrial e Tecnólogo em Mecânica,
é Consultor Técnico da EMBRACOR e Consultor Executivo da ABgnv.

 


 

 

Avaliação de um compressor lubrificado versos não lubrificado com vazão de 950Nm3/h

Eng.º. Carlos Augusto Sobrinho

VISÃO GERAL DO MERCADO

O mercado para GNV começou com pequenas estações de abastecimento utilizando-se de compressores de simples efeito (Ingersoll Rand H20 NG como exemplo). Este tipo de compressor era originalmente preferido devido ao seu baixo custo e requerimento de espaço reduzido.

Os limites impostos pela sucção da pressão eram importantes, pois preveniam pressão excessiva no carter. Além disto, a manutenção não era tão importante, pois o mesmo era utilizado por curtos períodos de tempo. O carregamento de aerossóis óleo-lubrificados e o vapor dentro do sistema de combustível eram um problema que persistia no inicio de sua aplicação com o uso de óleos minerais.

Os aerossóis podiam ser filtrados, no entanto os vapores, depois de condensados, causavam problemas no sistema de combustível do motor. Fundamentalmente, a lubrificação mineral é ineficiente, pois o vapor do óleo é miscível em gás; fazendo com que seja muito difícil filtrar o maior conteúdo de vapor de óleo e que mais tarde condensa e afeta a operação do motor. O problema pode ser amenizado através de um filtro de absorção instalado após os dois estágios dos filtros aglutinadores.

No entanto, este procedimento envolve custo, manutenção e problemas operacionais. Este ponto negativo ainda existe hoje em dia, e o Instituto de Tecnologia do Gás e outras organizações continuam procurando soluções para o carregamento de óleo. Lubrificantes poliglicois sintéticos surgiram no mercado e atualmente são preferidos aos óleos minerais. A lubrificação e a viscosidade, destes novos materiais, são adequadas para compressão alternada, e a baixa pressão do vapor assegura que pouco óleo passe com o gás para o motor.

O ponto mais negativo deste procedimento é o custo do óleo, o qual pode passar de $ 6,00 por litro. E, todavia, não há garantias na quantidade de vapor de óleo e aerossóis que passariam, pois isto depende das temperaturas de operação do compressor, no estado do compressor, na refrigeração, na quantidade de óleo que passa pelo lubrificador e no estado dos filtros. Pelo fato da grande aceitação do GNV, ter aumentado a demanda por estações compressoras maiores, isto nos leva a empregar compressores de grande porte com capacidade acima de 950Nm3/h. Compressores de duplo efeito resistentes ao desgaste, do tipo lubrificado ou com lubrificação métrica, são requeridos, pois estes modelos podem ser de 350hp ou maiores. Hoje em dia as três maiores companhias americanas responsáveis pelo fornecimento dos mesmos são – Ariel, Knox Western e Weatherford Enterra.

As companhias européias para compressores do tipo GNV incluem a Pignone e a Sulzer. A intenção deste artigo será verificar o efeito do carregamento de óleo destes compressores, os custos relativos, e as possíveis soluções, a fim de se evitar a contaminação dos alimentados com gás natural.

CARREGAMENTO DE ÓLEO – PROBLEMAS RELACIONADOS NA OPERAÇÃO MOTORES

Há dois aspectos sobre o carregamento de óleo que preocupam todos, operadores e consumidores.

O efeito do vapor de óleo condensado nos cilindros de GNV, que afeta a qualidade do combustível, o sistema de abastecimento, e a operação do motor; O primeiro é a formação de óleo nos cilindros de GNV. Como o vapor de óleo condensa, o ponto natural de convergência será o cilindro de GNV.

Experiências anteriores mostram que em um período de dois a três anos, óleo suficiente poderia ser acumulado para tomar 25% do volume do cilindro.

Este acumulo de óleo, não só toma volume reservado para o gás , assim como também adiciona peso morto a carga útil que deve ser transportada . Os motores antigos eram mecanicamente carburados e pouco sensíveis à qualidade do combustível utilizada e ao carregamento de óleo para os motores.

Os principais problemas relacionados no uso inicial de óleos sintéticos eram: o enrijecimento das vedações, dos anéis, gaxetas, etc., no entanto era só mais uma questão levantada pelo uso de poliglicois sintéticos. Atualmente os motores são bem mais sofisticados.

Os sistemas de combustíveis são controlados por micro-processadores cuja interface, com componentes eletrônicos, monitoram a velocidade, a carga, o fluxo de ar, e oxigenação no exaustor. O sistema pode ter até oito injetores de precisão, que misturam o gás a corrente de ar. A monitoração da precisão do sensor é muito suscetível à contaminação por revestimento de óleo, pois atualmente os motores operam perto dos limites de detonação. A fim de se atingir baixas emissões e boa eficiência, eles, além do mais, são dotados com sensores de choque para automaticamente retardarem a velocidade ou em casos extremos desligarem o motor. O carregamento de hidrocarbonetos arrastados no gás e/ ou óleo de lubrificação do compressor poderia aumentar a auto ignição ou detonação e por isso deve ser evitado para melhor operação do motor ou desligamento prematuro.

COMPRESSÃO ÓLEO-LUBRIFICADA vs NÃO LUBRIFICADA

A solução clássica adotada para eliminar o carregamento de óleo, mencionado anteriormente, tem sido adotar vários estágios de filtração. Alem disto, o sucesso em reduzir o carregamento de óleo é inteiramente dependente da seleção do filtro. Mas como pode o operador saber se os tamanhos certos de filtração foram instalados e se estão funcionando?

O carregamento de óleo provavelmente já vem afetando a operação dos motores muito antes de ser descoberto e quando é diagnosticado pode ser muito tarde para se evitar despesas com reparos.

Mesmo com dois filtros em serie adotados, a testagem verificou o carregamento de vapor de óleos poliglicois que podem ser da ordem de 5ppm de peso do óleo por libra de gás que passou pelo filtro (no sistema). Estes testes foram feitos em compressores pequenos e em laboratório, quando todos os equipamentos, incluindo neste caso os filtros, estavam em perfeitas condições.

Até onde sabemos, nenhum tipo de teste foi feito em largas escalas. Afim de que este valor de carregamento seja mantido assume se que os operadores sejam metódicos na limpeza dos separadores e filtros, assim como na manutenção dos compressores em seu ponto ideal de operação e na substituição e manutenção dos elementos dos filtros. (temperaturas elevadas têm um efeito nocivo na quantidade de vapor gerada, válvulas com má vedação aumentarão as temperaturas internas, e resfriadores sujos aumentarão a temperatura externa). Também se assume que os responsáveis pela lubrificação façam inspeções freqüentes e que não permitam que os parâmetros adequados de lubrificação se desviem.

A pratica mostra que isto é muito pouco provável de ocorrer. Um compressor do tipo 950Nm3/h é o mais =tilizado para os postos de abastecimento de GNV. Levando se em conta 6,000 horas por ano, com o melhor em manutenção e inspeção, 5ppm adiciona aproximadamente 33.0 litros de óleo injetados pelo compressor no sistema. Isto não inclui a quantidade de aerossóis que passam pelos filtros. Visto de forma mais realista, para instalações maiores a quantidade poderia ser o dobro deste valor – ou o equivalente de 66 litros de óleo de cada unidade de compressor que potencialmente bloqueariam os reguladores de pressão do sistema de combustível, as válvulas solenóides e o sistema de injeção de combustível do motor. Seria preferível sanar a causa do que o efeito.

Uma possível solução a fim de sanar o problema é o uso de partes autolubrificantes no compressor (normalmente denominadas isentas de óleo ou compressão não lubrificada). As não lubrificadas, em geral, são um pouco mais caras em termos de custo inicial, mas provavelmente eliminam qualquer carregamento de óleo para o motor do usuário.

CONCEITOS IMPORTANTES PARA COMPRESSORES NÃO LUBRIFICADOS

Em geral, a melhor visualização para uma compressão não lubrificada é a imagem de uma caneta borracha sendo esfregada contra a superfície de um papel.
A quantidade de borracha desprendida depende da freqüência e velocidade de fricção, pressão a qual a caneta é submetida contra o papel, e a rugosidade da superfície do papel (uma lixa d’água seria o caso mais extremo). Há alguns conceitos importantes em compressores não lubrificados que devem ser seguidos a fim de assegurar uma instalação bem sucedida e de baixa manutenção:
- Velocidade baixa do pistão
- Curso do êmbolo maior
– velocidade de rotação
- Baixas pressões de superfície
- Baixo contato de fricção
- Temperaturas de descarga moderadas

O primeiro axioma visa limitar a velocidade do pistão (i.e velocidade de fricção). A técnica que tem sido usada pela industria de compressores é a de um valor de 700fpm.

Este limite se provou como um bom ajuste entre os limites do projeto, custo inicial, faixa de desgaste e para a vida útil do anel do pistão, e é seguido pela industria GNV. O segundo ponto é que um percurso maior do êmbolo é benéfico, pois a fricção gera calor e o calor e um inimigo da vida útil da vedação e da vida útil do anel.

A caixa do carter será maior que o menor movimento do pistão em uma unidade de alta velocidade. Isto é importante para assegurar que a superfície da biela do pistão se alterne abaixo do carter de alta pressão e também seja exposta a atmosfera a fim de que haja dissipação do calor. Além disto, as bielas devem ter uma rigidez de 55RC para melhorar a vida útil da vedação. Com uma limitação na velocidade do pistão e um período mais longo do pistão, assume se que a velocidade de rotação deve ser minimizada.
Valores menores de rpm também são benéficos na redução do gradiente de calor dentro do compressor, pois o calor residual é maior. Com isto a vida útil da válvula é aumentada
. Todos estes pontos concorrem para uma baixa manutenção. A vida útil da faixa de uso é proporcional à pressão exercida pelo peso do pistão e a 40% do peso da biela dividido pela área projetada pela banda
– usando se 120° do arco da circunferência. Isto é importante para a vida útil da faixa de uso comercial que a pressão de superfície do projeto seja de 5psig ou menor. A taxa de uso aumenta exponencialmente
- um projeto de 7psig teria uma faixa de uso três vezes maior que um de 4psig.

O polimento do cilindro interno e a busca pelo menor coeficiente de fricção no mesmo é muito importante. O esmerilhamento e a cobertura por TEFLON têm sido usados por anos. No entanto, técnicas mais recentes mostram que o uso de nitritos e sua ionização nos cilindros fazem com que uma maior uniformidade na superfície interna seja alcançada, bem mais do que as técnicas usadas anteriormente e alem disto a superfície com nitrato ferroso se mostra resistente à corrosão e com enorme resistência (de até 40 RCC), que mais tarde irá beneficiar o uso do anel.

Temperaturas de descargas moderadas são importantes desde que o calor afetará a vida útil dos anéis de teflon. O calor amolece os anéis e causa sua deformação e desgaste prematuro.A temperatura de 275°F deve ser mantida quando possível. O último ponto a ser considerado é sobre o projeto isento de óleo. Compressores não lubrificados são oferecidos com um distensor padrão (parte que conecta os cilindros ao chassi e permite acesso ao carter), mas neste caso pequenas quantidades de óleo do Carter podem migrar através dos limpadores ao longo da haste do pistão para os cilindros.

Praticas anteriores têm diminuído o tamanho destes distensores. Para um projeto verdadeiramente isento de óleo o fornecedor pode instalar um distensor maior que evitará que a biela do pistão sobre os limpadores alcancem a área do carter. Geralmente um dispersor de óleo é instalado também a fim de evitar qualquer migração.

AVALIAÇÃO DO CUSTO DA PROPRIEDADE

No caso do valor do equipamento – especialmente de compressores alternados - não há muitas facilidades. Em geral pode se decidir por pagar mais a fim de se ter o melhor compressor e depois esperar dele o melhor em eficiência e em baixos custos operacionais ou pela compra de um compressor mais barato, mas que pode oferecer maiores riscos, consumo de combustível, manutenção e custos de operação que vão se estender durante a vida útil do projeto.

1. Custos iniciais

Para a utilização de um modelo 950Nm3/h, um compressor usual não lubrificado seria uma unidade de 4.5” operando em torno de 900 rpm com velocidade do pistão de 675 fpm. Este seria um projeto para compressor isento de óleo bastante moderado. Com estas dimensões, as maiorias dos motores industriais são classificadas em 1800 rpm. Desde que o compressor não lubrificado irá operar em 900 rpm, isto nos levará a necessidade de se ter um redutor de mecanismo a fim de reduzir a velocidade normal do motor ou ao uso de um motor mais caro de baixa velocidade.

A tecnologia de redução de mecanismos é comprovadamente bem sucedida e livre de problemas, mas este aspecto aumenta o custo inicial. A maioria dos compressores óleo lubrificados deste tamanho, tem velocidade do pistão de 900 fpm, 3”torque, e projeto de 1800 rpm. Em geral o custo deste modelos é menor no custo inicial , pois eles são mais leves , possuem menores taxas de carga e são mais adequados para as tensões encontradas nesta aplicação , e tem a excelência de serem conectados a um motor de 1800 rpm.

2.Custo de instalação

Um espaço para instalação reduzido será uma das vantagens dos compressores não lubrificados, pois a maioria das utilizações será do uso de uma unidade de dois tempos ao do modelo de 1800 rpm de quatro tempos. As fundações serão menores, pois o desequilíbrio de uma unidade de 900 rpm e de apenas um quarto da do modelo de 1800 rpm, assim como baixos níveis de ruído para estas unidades. No entanto, a localização, condições do terreno de instalação, leis municipais, etc, farão a diferença no valor final do custo do projeto.

2. Custo de manutenção

Na avaliação do custo relativo a operação de um compressor não lubrificado contra uma unidade óleo lubrificada, deve se calcular os custos relativos das peças de reposição de ambos modelos( o custo anual dos lubrificantes poliglicois estão incluídos nos custos de operação). A manutenção do motor não está incluída nesta comparação, pois o controlador é sempre o mesmo, e o redutor de mecanismo e juntas não necessitam de manutenção. A estrutura do modelo de 1800 rpm é mais pesada, sendo assim, requer maior freqüência de substituição de junções e outras partes.

A junta de cruzeta é a que mais fatigada seguida do pino da manivela. Estes serão itens de manutenção. O sistema de lubrificação do cilindro também requer checagem de válvulas e troca da unidade de bombeamento do lubrificador.

As principais juntas sofrem pouca ou nenhuma carga em um projeto equilibrado, sendo assim a troca de juntas não é um fator para este calculo. Em uma utilização comum de produção de gás e óleo, o custo médio de uma inspeção, troca dos filtros de óleo e manutenção da bomba de óleo, para um compressor continuo de 900 rpm é de $2/hp por ano.

Para propósitos de avaliação, a manutenção estimada para uma unidade de 1800 rpm contra uma de 900 rpm será o dobro deste valor – ou seja, $4/hp ao ano. As partes das extremidades do cilindro de gás são as que possuem o maior custo na manutenção do compressor.

Os Lubrificantes sintéticos aderentes são os que necessitam de maior performance no seu uso, bem mais que nos projetos não lubrificados. É bom mencionar que unidades não lubrificadas têm operado por quase 12 anos e com mais do que 4,000,000 de horas de uso e que houve evolução nos materiais usados ao longo dos anos. Para propósitos de avaliação pode se estimar que a vida útil das partes não lubrificadas seja da ordem de 8,000 horas para o primeiro estagio de sucção das válvulas e anéis até 6,000 horas para um estagio intermediário, nos pior dos casos seria de 2,000 horas caso para os anéis que estão em alta pressão e vedações.

Usando o preço de mercado, em relação às horas acima, o custo de troca das partes é aproximadamente de $ 7,50/hp ao ano. A mão de obra estimada seria de $ 50 por hora com cinqüenta horas necessárias por ano, o que nos leva a $6,50/hp ao ano.

O compressor de óleo lubrificado sintético é um projeto “mini – lubrificado”. Igualmente dependente das faixas de desgaste para suportar o êmbolo – e usa essencialmente os mesmos componentes de um não lubrificado (anéis de teflon, válvulas especiais, etc), mas pelo fato de que a camada de óleo reduz o desgaste, substituições menos freqüentes de anel são esperadas.

Contudo, a rápida velocidade do êmbolo aumenta a fricção (afetando assim a vida útil do anel), e a troca da válvula para um compressor de 1800 rpm será mais freqüente se comparada com um de 900 rpm não lubrificado. Além disto, o custo associado com o menor desgaste do anel será balanceado com outros maiores. Desta forma, os custos de manutenção de uma unidade óleo lubrificada serão avaliados da mesma forma. 3. Custos de operação Um custo significativo para uma unidade óleo lubrificada seria do consumo do óleo lubrificante.

O lubrificador tem que inserir óleo sintético continuamente em todos os cilindros a fim de aliviar o desgaste do anel e evitar ranhuras nos cilindros( óleo sintético é também necessário no Carter pois é fundamental que os óleos minerais e sintéticos não se misturem).

Gotículas e óleo de aerossóis pesados serão impelidos nos separadores de resfriamento do gás, mais os aerossóis mais leves e vapores permanecem na corrente do gás e, se não forem filtrados, passam com o gás que esta sendo enviado para o sistema de cascata.(o rejeito de óleo nos separadores e filtros é um grande problema ambiental).

A lubricidade e a viscosidade de um lubrificante sintético é considerada a mesma que a de um óleo mineral, sendo assim a taxa de alimentação em uma unidade 950Nm3/h de quatro pólos, 1800 rpm é estimada em 6,24 litros a cada 24 horas (incluindo a troca do óleo da caixa de manivelas duas vezes ao ano).

Levando se em conta que o preço do óleo é de aproximadamente de $ 6, 00, por litro, teremos um custo de $12/hp ao ano (baseando se em um modelo de 250hp e 9 horas/dia). Os outros custos de operação são o combustível e a energia. As eficiências de operação destes projetos de compressores são ditas sendo quase iguais, então levando se em conta isto, o custo do combustível não entra como um fator. Da mesma forma, as eficiências do condutor do motor não podem ser fator nesta avaliação, pois os modelos precisos de motor não são conhecidos e sim presumidos como se fora o mesmo modelo. 6. Sumário Por esta razão as comparações esperadas da manutenção e custo de operação seriam as seguintes:

A manutenção e operação de uma unidade óleo lubrificada (principalmente em relação ao preço do óleo) será mais cara em termos de operação do que uma unidade não lubrificada projetada menor.

INJEÇÃO DE ÓLEO NO COMPRESSOR E REMOÇÃO

Como mencionado anteriormente, o único óleo que pode migrar pra dentro de um compressor não lubrificado seria o provindo da caixa de manivelas. Para uma boa manutenção de um compressor não lubrificado de 900 rpm, com um distensor convencional, estas quantidades carregadas seriam na ordem de 0.2 ppm do peso do óleo por m3 de gás.

No entanto, 6,24 litros de óleo ao dia injetado no modelo óleo lubrificado, usado no exemplo, iria todo para a corrente do gás – totalizando um valor de 115 ppm do peso do óleo por libra de gás. 115 ppm é 575 vezes maior que 0.2 ppm de óleo indo para o sistema. Este lubrificante tem que ser removido do compressor e do conjunto dos filtros a fim de se assegurar que o gás natural que vai pra o motor seja isento de óleo. Este se processa da seguinte forma:

1. Depois de cada estagio um resfriador é usado para remover o calor da compressão. As gotículas maiores e aerossóis são retidas em cada separador de resfriamento.o que é estimado entre 50 a 80 % do óleo injetado.O óleo e outros contaminantes têm que ser drenados e descartados periodicamente do separador.

2. Um filtro de aglutinação (#10 em media) é instalado na saída do compressor. Isto irá remover 95% dos aerossóis remanescentes que estejam entre 0.3 e 0.6 mícron. Um segundo filtro secundário de aglutinação (#4) tem como função remover 99,9% dos aerossóis que tenham tamanho entre 0.3 e 0.6 microns. Nos dois filtros, os elementos filtrantes devem ser substituídos quando um diferencial de pressões entre 8 e 10 psgi sejam excedidas e quando qualquer óleo tenha sido coletado , o mesmo tem que ser descartado.

Dependendo do tamanho do filtro, eles elementos filtrantes custam entre $ 150 e $ 275 cada, e duram no máximo seis meses. A mão de obra requerida na toca dos cartuchos e de $ 50 por hora e toma 50 horas de trabalho ao ano. Os filtros e resfriadores não conseguem remover os vapores, pois estes vapores passam através do sistema de cascata do sistema e depois se acumulam nos cilindros de GNV. Uma forma de remoção do vapor de óleo seria instalar um filtro absorsor, mas isto implica em custos extras, e toca do elemento de absorção que é mais um custo na operação, além de um problema para ser descartado.Se óleo mineral for usado, o uso deste filtro é mandatário, mas para os óleos sintéticos ele não é necessário.

PROBLEMAS COM O DESCARTE DE ÓLEO

Ao longo de um ano, 6,24 litros de óleo são injetados em cada compressor durante uma janela de operação de nove horas isto nos daria um valor de 2.246.4 litros de óleo – ou de 4.492.80litros para uma instalação que tivesse dois compressores. Todo este óleo tem que ser coletado manualmente dos seus pontos de drenagem. Os tambores de óleo não podem ser lançados a céu aberto. A solução para este problema é a contratação de firmas especializadas em dejetos de óleo.

AVALIAÇÃO ECONÔMICA

A eficácia ou confiança (perda do produto) é o maior valor de custo para o proprietário de qualquer compressor. Comparado a um não lubrificado de 900 rpm e somente um filtro, um compressor de 1800 rpm é muito mais custoso, pois os separadores têm que ser descarregados, além do sistema dos filtros de aglutinação que tem que ser desligados com mais freqüência para a manutenção.

A primeira tabela lista os custos antecipados em um período de dez anos para dois compressores não lubrificados. A tabela dois estima as economias do custo de operação de um compressor não lubrificado com um modelo óleo lubrificado sinteticamente.

Há sempre risco na decisão de adquirir o compressor mais caro, e se o mínimo de 15% de retorno for requerido para garantir a validação deste risco, então a tabela três mostra que o valor liquido para o prognostico destas economias seria na ordem de $ 146,000 em dez anos. Com certeza um valor modesto – talvez 2% de cada estação de combustível – e não só justificará a escolha por um compressor não lubrificado para o gás natural.

Os Desafios do Próximo Governo:

A Agenda de Reformas no Mercado de Derivados de Petróleo

Helder Queiroz Pinto Junior
Diretor de Pesquisa IE-UFRJ

Os preços dos combustíveis aumentaram no início de novembro. “De novo?”, perguntam os consumidores? “Só agora?”, queixam-se as empresas.

Estas dúvidas colocam em tela o processo de formação de preços e os critérios de reajustes dos preços dos combustíveis no Brasil. Neste sentido, vale a pena tentar entender as dificuldades enfrentadas pelo governo, empresas e consumidores e destacar os pontos críticos que devem ser atacados pelo novo governo.

Em janeiro de 2002, o governo brasileiro deu um importante passo no processo gradual de reforma e abertura do mercado brasileiro de derivados de petróleo. A liberalização dos preços em todas as etapas da cadeia produtiva desta indústriasinalizou a continuidade de um processo progressivo de reformas que vêm sendo implementadas desde o início dos anos 90.

A liberalização foi acompanhada pela instituição da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (CIDE), criada para substituir a antiga Parcela de Preço Específica (PPE), cujo objetivo era sustentar uma política de subsídios cruzados entre os derivados. Como era um instrumento que espelhava a relação da Petrobras e o Tesouro, a PPE, ao contrário da CIDE, não poderia ser cobrada de potenciais importadores de derivados. O fim da PPE e a instituição da CIDE marcaram uma nova etapa no complexo processo de formação de preços internos de derivados.

Estas mudanças abririam espaço para uma maior participação de novos entrantes na indústria, via o incremento de importações de derivados. Vale sublinhar que, apesar de ter desenvolvido um grande parque de refino, o Brasil depende da importação de derivados como diesel, nafta e GLP. A viabilização destas importações depende, entretanto, de dois requisitos cruciais: i)o alinhamento dos preços internos aos preços internacionais e ii) o acesso à infra-estrutura de dutos e terminais, desenvolvida ao longo das últimas décadas pela Petrobras.

Quanto ao primeiro aspecto, a necessidade de alinhamento aos preços internacionais é uma comdição necessária tanto para as empresas importadoras quanto para Petrobras. O termo alinhamento não significa necessariamente equiparação dos preços domésticos finais com os preços internacionais.

Voltaremos a este ponto mais abaixo. Por ora, cabe destacar que preços inferiores aos preços internacionais inviabilizam, por um lado, a estratégia de importação dos entrantes; por outro, uma tal situação poderiam comprometer a rentabilidade e a remuneração dos acionistas da Petrobras. Preços internos muito altos facilitariam o processo de entrada de novos importadores, mas trariam efeitos perversos para a competitividade da indústria, para o bolso dos consumidores e seriam politicamente inaceitáveis.

O segundo requisito exigiu um grande empenho do órgão regulador para fixar as condições institucionais que sustentam essas mudanças.

Desde que começou a funcionar, em janeiro de 1998, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) tem se empenhado em completar a regulamentação da Lei 9478/1997, tendo exercido um papel crucial na definição das regras de livre acesso, as quais permitiriam, de fato, a entrada de novos operadores no segmento downstream (refino, distribuição e revenda).

No fim de 2001, o governo brasileiro saudou esta mudança com precipitada euforia, anuncia ndo, inclusive, uma meta de 20% de redução nos preços dos combustíveis.

Apesar de ser um terreno de difícil compreensão para o grande público, as oscilações dos preços dos combustíveis provocam impactos diretos no dia-a-dia da população e são imediatamente diagnosticadas.

Assim, ao longo do corrente ano, o comportamento dos preços dos derivados passou a ser tema recorrente no noticiário econômico e ocupou um espaço importante na arena política nos debates e entrevistas dos candidatos à Presidência da República.

A memória dos fatos econômicos costuma ser ainda mais curta em anos de turbulência. Cabe recordar, portanto, rapidamente a trajetória dos preços dos combustíveis desde janeiro de 2002, a fim de entendermos a natureza dos problemas a serem enfrentados pelo novo governo.

A partir de fevereiro, os preços dos combustíveis passaram a sofrer os impactos dos aumentos dos preços do petróleo bruto no mercado internacional e das flutuações do câmbio. Naquele momento, a Petrobras adotou o comportamento de reajustes freqüentes e sucessivos dos preços dos combustíveis, repassando para os consumidores finais os impactos da alta do dólar e do petróleo.

Assim, muito rapidamente, os propalados impactos da abertura sobre os preços internos foram sendo neutralizados por fatores exógenos. Esta situação abriu cizânias no âmbito do próprio governo.

Aqueles que criticavam esta situação argumentavam que os reajustes da Petrobras poderiam gerar um aumento da inflação e eram percebidos como indutores de formação de expectativas negativas para o desempenho da economia.

Os defensores da posição da Petrobras acenavam com o novo marco institucional da indústria, pois, afinal, o traço marcante da abertura deveria ser a liberdade de formação de preços. Após um primeiro semestre intenso em debates, a segunda metade do ano se anunciou ainda mais nefanda para os preços dos combustíveis. Afinal, os preços do petróleo saltaram de 18-19 US$ por barril, em janeiro passado, para um patamar de US$ 28-30 por barril em setembro; no mês de outubro, a desvalorização cambial levou a cotação do dólar para próximo dos R$ 4. Entretanto, os preços dos combustíveis, em particular, da gasolina, diesel e do GLP ficaram estáveis desde o início de julho.

Os aumentos ao longo do primeiro semestre exigiram uma resposta do governo, via um pedido de ação pró-ativa da ANP na tentativa de conter a alta dos preços do GLP, energético largamente utilizado pelos consumidores de baixa renda.

Evidentemente, a guinada nesta orientação não estava dissociada do calendário eleitoral. Em suma, passamos de um contexto de repasses freqüentes da alta do dólar e do petróleo para uma situação de interferência silenciosa nos preços internos dos combustíveis. Essa mudança radical tem suscitado incerteza e dificultado o processo de tomada de decisão de todas as empresas.

A ANP, que não tem atribuição definida por lei para regular os preços dos combustíveis, passou a fazer um acompanhamento permanente de margens de comercialização e de preços. Além disso, a agência tem buscado reunir as opiniões das diferentes empresas que atuam ao longo da cadeia produtiva buscando avaliar o processo de abertura e corrigir o curso das reformas no âmbito de suas missões de regulação. Este parece ser um passo indispensável na tentativa de dirimir as distorções provocadas pelas reviravoltas nos critérios de formação dos preços e avaliar as dificuldades de consolidação do processo de abertura.

De uma forma esquemática, podemos compreender melhor a natureza deste tipo de problema lembrando que, em todos os países do mundo, a indústria de petróleo e derivados guarda estreita relação com os temas macroeconômicos. Isto é decorrência do peso dos impostos que incidem sobre os combustíveis, do impacto inflacionário dos aumentos de preços e dos problemas que concernem o equilíbrio da balança comercial, especialmente para os países importadores.

Nestes países, incluindo aqueles de orientação mais liberal, existe a preocupação com os efeitos das flutuações dos preços do petróleo. Nos países europeus, dada a forte dependência das importações, diferentes instrumentos de amortecimento da alta de preços podem ser identificados. Neste sentido, mencionamos dois pontos relevantes.

Primeiro, os governos utilizam sistematicamente os tributos específicos sobre os derivados como instrumento de redução dos repasses dos aumentos do óleo cru para os consumidores finais. Isto é feito, em geral, via a redução de alíquotas; não é raro tampouco a determinação de uma windfall tax, visando reduzir a apropriação de rendas extraordinárias das empresas de petróleo. Sendo assim, o denominado alinhamento dos preços internos concerne basicamente à necessidade de acompanhamento da tendência de evolução dos preços.

O segundo instrumento diz respeito aos mecanismos de regulação da estrutura de mercado. Uma estrutura de mercado menos concentrada no segmento de refino, por exemplo, amplia o jogo competitivo e freia o ímpeto de repasses freqüentes dos preços para os demais elos da cadeia produtiva e para os consumidores finais. A disputa pela manutenção e ampliação das fatias de mercado constitui, assim, um fator limitante de apropriação das rendas. Já nos países em desenvolvimento a situação é mais grave devido à dupla exposição à volatilidade dos preços do petróleo e à vulnerabilidade externa com seus impactos sobre o comportamento do câmbio. Países como o Chile, que vem mantendo políticas de orientação liberal, instituíram instrumentos de amortecimento dos aumentos dos preços e das flutuações cambiais. Desde 1991, o governo chileno instituiu o FEPP (Fondo de Estabilización de los Precios de Petróleo), o qual define o percentual da alta de preços do óleo cru que deve ser repassado para os preços internos.

Este mecanismo foi revisado e aperfeiçoado em 2000, mas a sua finalidade permanece a mesma. Isto posto, é interessante voltarmos a examinar o caso brasileiro. O balanço deste ano revela que os resultados da liberalização dos preços estão aquém do esperado e tem suscitado fortes incertezas. A indústria nacional de petróleo e derivados, no segmento downstream, é caracterizada por: a) forte concentração da estrutura de refino, permitindo à Petrobras, com mais de 95% da capacidade de refino, atuar como price maker; e b) controle da Petrobras das instalações e dutos, consistindo barreiras à entrada. Nestas circunstâncias, parece claro que a mudança estrutural no segmento de refino, reduzindo o seu grau de concentração, só poderá ser alcançada no longo prazo. Com a presença de uma empresa dominante, mesmo sendo ela majoritariamente estatal, é fundamental ter instrumentos de monitoramento de preços e regras claras dos mecanismos e da freqüência de reajustes/repasse. Este aspecto importante para evitar problemas de detenção de entrada via preços baixos e para evitar preços abusivos cujos efeitos perversos são conhecidos.

Alguns tópicos merecem ser seriamente levados em consideração na agenda governamental do próximo governo. Primeiro, as relações entre a equipe econômica e as autoridades governamentais setoriais - Ministério de Minas e Energia (MME) e ANP- necessitam de um fórum permanente de interlocução dada a importância das interações macrosetoriais mencionadas acima.

Uma ilustração exemplar deste tópico diz respeito à criação da CIDE. Uma de suas funções é precisamente àquela mencionada acima no caso dos países europeus, ou seja, ser utilizada como vetor de amortecimento de preços. Porém, as metas macroeconômicas de superávit primário limitam este tipo de utilização, pois é difícil imaginar, ante estas restrições, que o governo reduza a arrecadação fiscal.

Desde o início do ano, a CIDE permitiu o governo arrecadar algo em torno de R$ 10 bilhões. Segundo, a incerteza com relação à formação dos preços e a interferência política nos preços, desde julho, oferecem sinais econômicos errôneos os quais que comprometem o processo de abertura. Além disso, o atual patamar de preços vem deteriorando a situação econômico-financeira das refinarias privadas - Ipiranga e Manguinhos - as quais não são integradas nas demais etapas da cadeia produtiva, e, a reboque, retirou os incentivos para a importação.

Se a hipótese aqui levantada da existência de relação direta entre o período eleitoral e o controle não-declarado de preços dos combustíveis estiver correta, era de se esperar que, passadas as ele ições, novos aumentos nos combustíveis fossem, de fato, realizados.

Porém, a questão central permanece: quais serão os critérios futuros de reajustes e repasse de preços? Devido ao poder de mercado da Petrobras no refino, é necessário que existam sinais inequívocos com relação aos critérios de formação de preços de derivados.

Além disso, seria também importante o desenho de um instrumento que permita atenuar os problemas derivados da flutuação cambial e do preço do petróleo. A experiência internacional fornece vários exemplos que podem servir de referência para a adequação de um instrumento adequado à realidade do mercado brasileiro de combustíveis.

Como foi ilustrado aqui, isto não significa um retorno ao tempo do controle de preços ou uma renúncia ao avanço do processo de abertura; ao contrário, regras mais claras e transparentes ajudarão no processo de atração de novos agentes para a indústria. Esses aspectos ilustram uma questão mais ampla e que será certamente objeto de preocupação do próximo governo. A construção de novos desenhos institucionais e de marcos regulatórios envolve um processo de aprendizagem tanto das autoridades governamentais e das empresas operadoras.

Dada a evolução dos princípios que integram o interesse público, como mostra a recente incorporação das preocupações ambientais e dos direitos do consumidor no rol das chamadas questões de interesse público, o principal desafio das reformas estruturais e institucionais reside na tentativa de alcançar o equilíbrio entre, de um lado, o grau de flexibilidade que permita a adaptação dos agentes econômicos ao contexto econômico e, de outro, a consolidação de um conjunto de regras estáveis que para o processo de tomada de decisão de investidores e consumidores. O desafio nada tem de trivial e o novo governo necessitará do capital político acumulado na eleição para corrigir os rumos da indústria brasileira de petróleo e derivados.

(Fonte: Petróleo & Gás Brasil - Novembro de 2002)

 

 

Gás Natural Veicular, presente e futuro

Ubiratan J. Dos Santos

Desde o último dia 1.º de outubro, vigoram novas regras para o Gás Natural Veicular (GNV).

As Portarias n.º 102 e 103, de 20 de maio de 2002, do INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), que fazem parte de um conjunto de normas que vêm sendo analisadas e propostas pelos agentes envolvidos no segmento, em síntese, têm como principal objetivo, a segurança do sistema de GNV e, a continuidade "devidamente ordenada" do Programa de Gás Natural Veicular, que inclusive foi objeto de um projeto apresentado aos candidatos à Presidência da República. O Brasil, que já é o "segundo" mercado de GNV do mundo - o primeiro é a Argentina -, registra vendas mensais de 70 milhões de metros cúbicos. O preço médio de venda ao consumidor é de R$ 0,82. As projeções apontam para a liderança mundial em 4 anos. A frota brasileira, basicamente de veículos leves que utilizam o Gás Natural como combustível, que em 1992 era de aproximadamente 2 mil, hoje gira em torno de 350 mil. Estima-se que até 2005 teremos mais de 1 milhão. O preço médio para a conversão de um veículo leve é de R$ 2.500,00. São mais de 400 postos de abastecimento de GNV em funcionamento, distribuídos em 14 Estados e 60 Cidades (em 1992 existiam menos de 10).

E, para atender o crescimento da frota, os postos deverão chegar a 1.000, ou mais, até 2005. Urge lembrar que o investimento para a "adaptação" de um Posto de Combustíveis, já existente, ao GNV era de US$ 600 mil, hoje US$ 300 mil. De acordo com o INMETRO, existem mais de 800 oficinas instaladoras de Kits de Gás Natural Veicular (GNV) no país, "que passarão a ser visitadas pelos fiscais do IPEM (Instituto de Pesos e Medidas), para averiguar como anda a operação do estabelecimento". Estas realizam em média 8.700 conversões/mês. O investimento para montar uma oficina de conversão é estimado em R$ 200 mil. Por outro lado, os fabricantes e/ou representantes das Estações de Abastecimento de Gás Natural Veicular, movimentam-se a fim de atender a demanda "aquecida".

Há seis anos conhecíamos umas três ou quatro marcas de compressores (todos importados). Hoje são dez. Alguns já "montam" as estações no Brasil, importando somente o compressor (da Argentina, Estados Unidos e Itália). Dois afirmam que o equipamento é 100% nacional !!!. Nossa experiência enfatiza os tópicos abaixo como os mais abordados pelos agentes envolvidos:

· Analogia com o combustível líquido;
· Certificação dos Equipamentos de GNV;
· Experiência histórica (da Argentina e do Brasil);
· Fiscalização dos Postos e das Convertedoras;
· Formação de Mão de Obra qualificada para o GNV;
· Incentivos Governamentais ao Programa;
· Monopólio de Distribuição;
· Plano de Expansão do GNV e da rede de gasodutos nas Cidades;
· Política Ambiental e como o GNV se insere nesta;
· Política de Postos próprios de GNV e divulgação;
· Política de Preços; · Recursos Econômicos necessários;
· Regulamentação - Legislação existente e em tramitação;
· Segurança dos equipamentos e sistemas;
· Selo Veicular; · Tarifas de aferição;
· Visão Geral do Programa de GNV.

Em que pesem todas as boas perspectivas para este mercado (estima-se um crescimento de mais de 50% ao ano), há ainda, segundo agentes do segmento, muita coisa a ser feita. Questiona-se principalmente sobre a ausência e deficiência da legislação de regência. Firmeza e regras claras, por parte do governo, sobre o "Programa do Gás Natural Veicular", é quase um consenso.

(Fonte: Redação GasVirtual)

 

A Receita do Bolo ou ... do Posto ???

Ubiratan J. dos Santos
Consultor da Alposto

É no mínimo curiosa, e porque não dizer surpreendente, até para mim que atuo há mais de dez anos como consultor do setor, a quantidade de perguntas que nos são dirigidas pelos "empresários do segmento da Revenda de Combustíveis, Lubrificantes, Lojas de Conveniências e afins" sobre a solução para salvar o seu negócio, que está em estado de pré-falência. Com o devido respeito e a consideração que "a todos devo", mas também com toda sinceridade lhes tenho dito e agora reitero: Se eu tivesse a fórmula estaria milionário. Estudos têm revelado a dificuldade do brasileiro na hora de manter a sua própria empresa. Já há consenso entre especialistas que, em geral, o latino-americano, não foi preparado para ser um empreendedor, e sim para ser um funcionário público ou de grandes empresas. Na Revenda de Combustíveis, sabemos historicamente que o negócio foi paternalmente "criado e vigiado" pelo governo e "administrado" pelas grandes petroleiras, tendo o Revendedor - dono do posto - como um mero cumpridor das regras estabelecidas pelo "poder superior". Ganharam dinheiro ??

? Sim. Até o momento em que o governo resolveu copiar modelos externos e "liberar o setor". A partir daí estabeleceu-se um "quase" caos no segmento econômico dos combustíveis. - Que me perdoem o exemplo - Mas, é com se você criar um cachorro de "raça" preso na corrente do seu quintal. Quando ele se solta e vai para a rua, fatalmente será atropelado pelo primeiro carro que passar.

Com o vira-latas de rua, isto não acontece porque ele está acostumado às dificuldades. Aos Revendedores com os quais tenho liberdade, tenho dito: "Penso que está na hora de vocês agirem como empresário e não como posteiro". O "dono" da padaria - que nunca tem o nome da "marca" - estabelece o seu mix de produto e que preço vai praticar. Não é um "operador" do fabricante de farinha de trigo, de cervejas, de sorvetes ou qualquer outro produto. Não aceita que lhe imponham um Loja de Conveniência para pagar royalties de 6% sobre a venda de cigarros. Também não aceita ser locatário do seu próprio imóvel. Que tal abandonarmos o pejorativo Bandeira Branca e termos um posto "MULTIMARCAS DO SEU JOSÉ" ???

O cliente, que é o elemento mais importante, decidirá qual combustível irá abastecer o seu carro. A qualidade e honestidade dos produtos vendidos no seu estabelecimento são de sua responsabilidade - na abra mão disto. Isto sim é que vai sustentar as suas vendas

. O conflito, acredito eu, está na conscientização do "Empresário da Revenda". Existe um grande e virtuoso negócio em suas mãos. É o seu "ponto", a sua empresa, o seu nome e, às vezes até o seu imóvel.

Para onde vai o revendedor?
Aldo Guarda

Esse foi o tema da palestra de Aldo Guarda, vice-presidente da Fecombustíveis - Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes -, durante a Expopetro, realizada em Gramado.

Ele apontou dois fatores primordiais a serem trabalhados para que a ordem seja restabelecida no segmento: o reordenamento das relações entre distribuidora e revenda, que tem como fórum de discussão a ANP -Agência Nacional do Petróleo -, e a Reforma Tributária, com fórum no Congresso Nacional. Quanto ao reordenamento, Aldo Guarda aponta três situações a serem trabalhadas, que são a proibição da operação de postos por distribuidoras, a liberdade de operação para postos Bandeira Branca e a isonomia de tratamento.

E é sobre esses pontos que o vice-presidente da Fecombustíveis faz alguns esclarecimentos. A ANP não apresentou uma proposta segundo o qual as distribuidoras poderiam operar diretamente 10% de seus postos?

Na verdade, aquilo não foi uma proposta da ANP. A Agência contratou um estudo no qual todas as partes foram ouvidas (produtores, distribuidoras e revenda de postos, através da Fecombustíveis) para colocarem a sua proposta.

Alguém, que até imaginamos quem seja, deve ter colocado uma proposta segundo o qual a distribuidora poderia operar postos. Depois de todas as consultas feitas, a ANP fez um resumo do trabalho e saiu alguma coisa dessa natureza. Porém, hoje, a ANP está totalmente convencida de que ela deve rechaçar esse assunto.

Tenho certeza de que não sairá nada nesse sentido em pauta nesse reordenamento que a ANP pretende fazer. A Agência é totalmente favorável às nossas propostas, segundo as quais companhia não pode operar posto e deve haver Reforma Tributária, e está convencida de que isonomia é um bom negócio, coisa da qual ela não queria nem ouvir falar no passado.

Depois de apresentar esse estudo, a ANP deu novamente um prazo para que cada parte da cadeia se manifestasse. Como está a situação agora?

A ANP está reavaliando todo esse trabalho, as novas propostas que foram recolo-cadas pelos participantes daquelas primeiras entrevistas e confesso a você que ela está tão preocupada com outros assuntos que acredito que este não seja prioridade para ela. Hoje, a grande prioridade, até para a ANP, é a Reforma Tributária.

Se a ANP é então favorável à isonomia, existe alguma perspectiva real para a volta da sua prática?

No meu entendimento não é a ANP que tem que baixar uma portaria restabelecendo a isonomia, mas sim o Ministério. Porém, cabe à ANP uma ajuda sua endossando uma proposta nossa, da Fecombustíveis. E é para isso que estamos lutando. Digo que o início desse trabalho está na atitude da ANP, que colocou na internet preços de referência em várias capitais do país. Isso já foi um começo, uma pena que de maneira equivocada. Alguém errou, não me pergunte se propositadamente, na proposta que nós fizemos. Nós não pedimos aquilo. Pedimos que fosse colocado na internet preço de custo das distribuidoras, para que se pudesse haver uma avaliação de quanto se paga e quanto a companhia distribuidora ganha. Daí para frente o revendedor coloca seu lucro e o consumidor saberá por quanto ele estará vendendo. Dessa forma, o revendedor teria uma noção de que se o preço de uma companhia distribuidora é R$ 1,01, como pode ter companhia vendendo a R$ 0,98. Foi isso que nós pedimos. A ANP errou, porém, houve uma boa intenção.

 

Na sua opinião, o problema da adulteração, amplamente divulgado pela mídia, não atrapalhou um pouco o crescimento dos postos Bandeira Branca?

Não acredito nisso. A verdade é que para um revendedor ser um posto Bandeira Branca existe umasérie de conceitos a seguir, como ser dono dos equipamentos, das bombas, dos tanques, tem que ter um logotipo próprio. Porém, por interpretações errôneas de portarias que estão por aí, o revendedor começou a entender que pelo simples fato de não ter vínculo contratual poderia continuar a ostentar o logotipo da Shell, Esso, Ipiranga, mas poderia comprar combustível de qualquer outra distribuidora. Não é assim que eu entendo. Mas não somos nós que devemos tomar medidas contra essa posição do revendedor. Isso é com a companhia distribuidora. Se ela tem contrato com o posto, que faça o revendedor respeitá-lo, mas se não tem contrato e estão usando a logomarca é porque ela está permitindo. O conceito é esse, mas se estão usando-o de maneira errada não somos nós que devemos julgar. Outro fator é que não é o revendedor que adultera. O produto já vem adulterado da distribuidora. O que bloqueou o crescimento desse tipo de posto foi a interpretação errada do conceito.

(Fonte: Posto Técnico)

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GNV : Uma Realidade em Expansão
Ubiratan J. dos Santos
Consultor SINDCOMB

Em que pesem todas as dificuldades, as vendas de Gás Natural Veicular - GNV, registraram, no Rio de Janeiro, em 2000 um crescimento de 90% em relação a 1999 e 207% em relação a 1998. O Estado, que é pioneiro e líder absoluto em vendas de Gás Natural, encerrou o ano com 62 postos, sendo 56 no Município do Rio de Janeiro, 3 em Duque de Caxias, 1 em Barra Mansa, 1 em Campos e 1 em Volta Redonda. Em 1999 tínhamos 29 e 23 em 1998. Foram vendidos 169,2 milhões de m3 em 2000, contra 89.4 em 1999 e 55,5 em 1998.

As perspectivas em relação ao ano que se inicia ratificam e consolidam praticamente todas as nossas previsões, quando há aproximadamente cinco anos apontávamos para este mercado

Tendo iniciado em meados da década de 80, com um programa denominado PLANGÁS - PLANO NACIONAL DE GÁS NATURAL, cujo objetivo era fundamentalmente, reduzir a nossa dependência da importação dos derivados de petróleo e, após diversos obstáculos, somente em 1996, com a publicação em 12 de Janeiro, do Decreto Presidencial nº 1787, que liberou o uso do Gás Natural para todos os veículos, o segmento automotivo teve a sua retomada.

Estamos certos que a partir daí, o " Programa" de Gás Natural brasileiro iniciou seu desenvolvimento efetivo. Viabilizou-se, então, o Gás Natural como combustível alternativo ( seja para o álcool, a gasolina ou mesmo para o diesel ) em função das suas qualidades, do seu preço competitivo - esperamos que as regras sejam mantidas, em reservas e aspectos positivos em relação ao meio ambiente.

A conversão para o Gás Natural tornou-se, então, extremamente atrativa para os proprietários de táxis. A demanda pelo combustível passou a ter um ritmo de crescimento constante, estimulando investimentos na abertura de novos Postos com estações de abastecimento de GNV, nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Vale ressaltar que a maior parte dos investimentos no Programa de Gás Natural automotivo são proveniente do capital privado. Ao contrário do pró-álcool que foi criado, desenvolvido e controlado totalmente pelo governo.

As concessionárias regionais, em sua grande maioria já privatizadas, têm registrado consideráveis aumentos nas vendas de Gás Natural canalizado. Todavia, o destaque é do setor automotivo.

De fato, este é o setor de atividades de maior dinamismo na área do Gás Natural. Encerramos o ano, em todo o país, com aproximadamente 80 mil veículos convertidos e cerca de 150 oficinas convertedoras certificadas pelo INMETRO, com apenas pouco mais de 100 Postos de Abastecimento com GNV, acarretando ainda demoradas filas.

Urge alertar que o aumento rápido no número de postos exigido pela demanda está limitado pelas redes de tubulação das concessionárias. A área coberta pelo abastecimento de gás canalizado só é expressiva " nas cidades " do Rio de Janeiro e S. Paulo, onde existem há muitas décadas. Nas demais localidades, as redes estão em início de desenvolvimento, e praticamente não existem em periferias e estradas. Além do esforço construtivo das concessionárias, que prometem resultados palpáveis durante 2001 - a CEG doRio de Janeiro, dentre outras informou que iniciará obras a partir de Fevereiro próximo, o que significa o desenvolvi-mento do promissor mercado de São Gonçalo e Niterói.

Em contatos que já vimos mantendo há algum tempo, acredita- mos que um possível reforço e incremento para acelerar o desenvolvimento do GNV, poderá ser o abastecimento com semi-reboque feixe, que vem sendo desenvolvido no país por alguns empreendedores, e deverá estar em operação ainda no primeiro semestre deste ano.

Um outro fator limitativo da expansão do GNV - que pode pro-porcionar economia operacional de até 70% para o proprietário do veículo, deve ser eliminado em breve. Trata-se do fornecimento de cilindros (seguros e legais) para armazenamento do gás comprimido nos veículos. Atualmente só existem duas fábricas no Brasil, que estão com toda a produção vendida e dilatando os prazos de entregas. Prometem, entretanto, novas unidades industriais ( Manaus e São Paulo), que elevarão a produção brasileira para mais de 200 mil cilindros por ano, suficientes para as perspectivas próximas.

Bom seria também que as montadoras brasileiras de veículos se movimentassem para iniciar a fabricação de modelos que já saiam das linhas de montagem com a alternativa do uso do GNV, aumentando a segurança e eliminando alguns incovenientes atuais, como a colocação do cilindro no porta-malas do carro.

Diante de todo este quadro, esperamos que, para a consolidação do PLANGÁS, todos os demais segmentos da sociedade como governo e instituições financeiras integrem-se realmente ao programa, liberando, com agilidade, os recursos " viáveis e factíveis com a realidade dos Revendedores - donos de Postos de Abastecimento", a exemplo do que acontece com os proprietários dos táxis.